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Até a metade dos anos 80 o método pilates era pouco conhecido fora do mundo da dança, mas foi popularizado na última década. O método pilates é mais que uma lista de exercícios. É um caminho para a conexão e o condicionamento levando ao desenvolvimento do corpo e da mente.1
Assim sendo o método está embasado em seis princípios: centralização, concentração, controle, precisão, respiração e fluidez. Alguns efeitos são esperados através da prática dos exercícios de pilates tais como: efeito na postura da pelve, efeito no alongamento da coluna, e efeito no tônus da cavidade abdominal-pélvica. A soma de todos estes efeitos leva ao princípio denominado centralização, que usa a postura de pilates ativando “powerhouse”. O conceito “powerhouse” está relacionado a estabilização do tronco, também conhecida como “core” que pode ser descrito como centro de equilíbrio do corpo. A partir deste conceito, os exercícios de pilates podem ser divididos em duas categorias: 1) exercícios em que o principal objetivo é obter e desenvolver o “powerhouse”, acionando diretamente a musculatura responsável por esta postura e 2) exercícios em que o foco não está diretamente no desenvolvimento do “powerhouse”, mas sim em outras partes do corpo, enquanto o centro é ativado.23
Exercícios baseados no método pilates também são aplicados de modo á incrementar a força do “core” e do tronco oferecendo ainda, outros benefícios como a mobilidade da coluna e das articulações em geral, o desenvolvimento da propriocepção, do equilíbrio, e da coordenação. Para alguns autores, adultos idosos podem se beneficiar dos exercícios baseados em pilates, pois estes podem ser integrados ao tradicional treinamento resistido, equilibrando assim o programa de treinamento.4
Um estudo feito com 327 indivíduos demonstrou que a maioria das pessoas que procuram por pilates são mulheres de meia idade, sedentárias e apresentam algum tipo de dor músculo-esquelética. Neste estudo foram analisados os seguintes aspectos: sexo, idade, principais objetivos com a prática de pilates, principais áreas de dor e percepção de intensidade. Os autores concluem que pilates pode ser aplicado para a grande maioria dos interessados, principalmente como forma de reabilitação.5
Para que haja a utilização do “powerhouse” durante a execução dos exercícios de pilates, a musculatura abdominal também é solicitada. Autores verificaram a habilidade de contrair apropriadamente o músculo transverso do abdome, que tem a função normal de estabilidade da coluna. Foram comparados indivíduos que realizaram treinamento com exercícios abdominais regulares (N=12), indivíduos que realizaram treinamento com pilates (N = 12) e um grupo controle sem treinamento (N = 12). Os resultados apresentaram uma melhor capacidade de acionar o transverso do abdome em 10 sujeitos do grupo que treinou pilates (83%), 4 sujeitos do grupo de abdominal regular (33%) e 3 sujeitos do grupo controle (25%). Com relação á estabilidade lombo-pélvica apenas 5 sujeitos do grupo de pilates (42%) apresentaram esta capacidade e nenhum indivíduo dos demais grupos.6
Acredita-se que não há um padrão de metodologia entre os artigos como, por exemplo, as medidas claramente estabelecidas. Para que as pesquisas futuras sejam consistentes é preciso corrigir algumas falhas como: o desenho experimental, o N amostral e a definição do método aplicado.7
Pilates é um movimento de reeducação conhecido no campo do “fitness” e da reabilitação e pode ser usado como um assistente para otimizar a aquisição de movimentos que reduzam as forças lesivas, em uma progressão individual através de movimentos desafiadores que representam as atividades do dia a dia. Pesquisas e teorias sobre aprendizagem motora, biomecânica e fisiologia músculo-esquelética ajudam a embasar o que os praticantes vivenciam com os exercícios de pilates. Contudo é necessário que o método seja um objeto de rigorosa pesquisa e rigor científico para melhor avaliação de sua eficácia no campo da reabilitação.8
Na área da reabilitação foram encontrados alguns estudos com a utilização do método pilates descritos a seguir. O método pilates é o único que enfatiza, força, coordenação, propriocepção, resistência muscular, equilíbrio, controle, flexibilidade e mobilidade. Combinando múltiplos planos, equilibra o trabalho da musculatura agonista e antagonista, trabalha a bilateralidade, sendo então um trabalho funcional. Portanto, pode ser utilizado em todas as fases da reabilitação desde o estágio iniciante até o avançado. O autor acredita que incorporar o “mat” pilates (exercícios de solo) no programa de reabilitação parece recuperar o processo de reabilitação de tornozelo e pés significativamente.9
Outro estudo observou 60 indivíduos com osteoartrite de joelho e foram divididos em dois grupos com treinamento de pilates. Grupo 1 realizou 3 x semana por 4 semanas, sessões de 1 hora de pilates em grupo e o grupo 2 realizou em casa individualmente 1x por semana por 4 semanas a mesma sessão de pilates. Foram comparadas, a força dos músculos extensores do joelho, o índice da desabilidade do joelho, tempo de levantar-andar-sentar em três tentativas e índice de osteoartrite, antes e após a intervenção. Os dois grupos apresentaram melhoras significativas, porém os indivíduos que realizaram os exercícios em grupo apresentaram resultados muito superiores.10
O método também parece ser efetivo na recuperação de pacientes que realizaram artroplastia de joelho e quadril,11 na maximização da performance da aprendizagem motora,12 propicia a estabilidade e o alongamento axial13 e pode ser um dos tratamentos para desordens de locomoção. Este último parece ser benéfico, devido a utilização dos equipamentos.14
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